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Câncer no fígado e metástases hepáticas: sinais de alerta, diagnóstico e quando a cirurgia é indicada

Dr. Marcos Belotto

Dr. Marcos Belotto

Cirurgião Oncologista · Doutor em Cirurgia (H. Sírio Libanês) · 4 min de leitura

Câncer no fígado e metástases hepáticas: sinais de alerta, diagnóstico e quando a cirurgia é indicada

O fígado é um dos órgãos mais frequentemente atingidos pelo câncer — seja porque o tumor nasce ali, seja porque células de um câncer de outro órgão se instalam nele. A boa notícia é que, mesmo quando a doença chega ao fígado, a cirurgia pode oferecer chance real de cura em muitos casos. Reconhecer os sinais, buscar o diagnóstico no tempo certo e chegar a um serviço com experiência em cirurgia hepática faz toda a diferença no resultado.

Câncer primário ou metástase: qual a diferença?

Existem dois cenários distintos. No câncer primário do fígado — sendo o carcinoma hepatocelular (ou hepatocarcinoma) o tipo mais comum — o tumor se origina nas próprias células hepáticas, quase sempre associado a doenças crônicas como cirrose, hepatite B, hepatite C ou esteatose (gordura no fígado). Já as metástases hepáticas acontecem quando um câncer de outro órgão — mais frequentemente o intestino (cólon e reto), mas também estômago, mama e pâncreas — envia células que se instalam e crescem no fígado.

Essa distinção importa porque muda completamente a estratégia de tratamento. Cerca de metade dos pacientes com câncer colorretal desenvolve metástase no fígado em algum momento — e, ao contrário do que muitos imaginam, isso não significa que a cura esteja descartada.

Um câncer que chegou ao fígado não é automaticamente um câncer sem tratamento cirúrgico. Em muitos casos, a remoção completa das lesões ainda é o caminho com maior chance de cura.

Quais são os sinais de alerta?

Nos estágios iniciais, o câncer no fígado costuma ser silencioso — e é justamente por isso que o acompanhamento de quem tem fatores de risco é tão importante. Quando aparecem, os sintomas mais comuns incluem:

Esses sinais não são exclusivos do câncer, mas merecem avaliação médica sempre que persistirem, especialmente em quem tem histórico de hepatite, cirrose ou outro câncer já tratado.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico combina exames de imagem de alta precisão — tomografia computadorizada, ressonância magnética e, em alguns casos, ultrassom — com exames de sangue, incluindo marcadores tumorais como a alfafetoproteína no hepatocarcinoma. Em pacientes já tratados de outro câncer, o rastreamento periódico é o que permite identificar metástases hepáticas ainda pequenas, quando as chances de tratamento cirúrgico são maiores. Definir com precisão o número, o tamanho e a localização das lesões é o que orienta se a cirurgia é possível.

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia é considerada o tratamento com maior potencial curativo tanto no câncer primário quanto nas metástases hepáticas — desde que as lesões possam ser removidas por completo, preservando fígado saudável suficiente para o organismo continuar funcionando. O fígado tem uma notável capacidade de regeneração, o que permite retirar porções significativas do órgão com segurança em pacientes bem selecionados.

Dependendo do caso, a operação pode ir de uma ressecção localizada (retirada apenas do segmento onde está o tumor) até hepatectomias mais amplas. Nas metástases de câncer colorretal, a combinação de quimioterapia com cirurgia pode, inclusive, transformar tumores inicialmente inoperáveis em ressecáveis — e, entre os pacientes operados, a sobrevida em longo prazo é significativamente maior do que com o tratamento clínico isolado.

Cirurgia minimamente invasiva e robótica do fígado

A cirurgia hepática evoluiu muito nas últimas décadas. Hoje, boa parte das ressecções pode ser realizada por vídeo (laparoscopia) ou com o auxílio da plataforma robótica, em vez de grandes cortes. A abordagem minimamente invasiva oferece menor perda de sangue, menos dor no pós-operatório, internação mais curta e recuperação mais rápida — mantendo o mesmo rigor oncológico da cirurgia aberta. O ultrassom intraoperatório é usado para localizar cada lesão com precisão e planejar cortes que preservem vasos sanguíneos e vias biliares.

Um plano de tratamento individual

Nem todo câncer no fígado é operável de imediato, e nem toda cirurgia é igual. Por isso, o tratamento ideal nasce de uma avaliação individual, muitas vezes conduzida por uma equipe multidisciplinar, que leva em conta o tipo e a origem do tumor, o estado do fígado, a saúde geral do paciente e o papel de terapias complementares como quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia. Tecnologia e técnica cirúrgica são ferramentas poderosas — o que faz a diferença é como e por quem elas são aplicadas.

Tem dúvidas sobre câncer no fígado ou metástases hepáticas?

Agende uma avaliação com o Dr. Marcos Belotto para entender qual é a melhor abordagem para o seu caso.

Dr. Marcos Belotto

Autor

Dr. Marcos Belotto

Cirurgião Oncologista. Doutor em Cirurgia pelo Hospital Sírio Libanês (2023). Pioneiro em cirurgia pancreática robótica no Brasil. Membro da SBCO, IHPBA e SOBRACIL.

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